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VIVEIROS DE OLIVEIRAS

PAULO SOARES LOPES

Viveirista e Olivicultor

Teles +351 917342023

slviveiro@gmail.com

 

 

 

AMANHO DO OLIVAL

Verifica-se nesta zona que os ataques de de Olho de Pavão, Traça, Margaronia, Mosca e Gafa são muito evidentes, talvez se deva à alteração climática notória, nestes últimos anos, em que a Primavera vem mais cedo, e o Inverno é mais quente, propiciando ao desenvolvimento dos fungos e pragas.

Nos nossos Olivais praticamos a Protecção Integrada.                   

COMO PROCEDEMOS

1º- Olho de Pavão:

O olho de pavão é um fungo que se desenvolve em condições de humidade e temperatura normais na Primavera e no Outono. Depois da poda é conveniente fazer um tratamento com cobre. Já experimentei cobre em gel, tem um maior poder de aderência o que nesta altura do ano com a possibilidade de chuva tem uma certa vantagem.

Neste tratamento aproveito e faço em  simultâneo uma adubação foliar. Nesta adubação com Azoto, Fósforo e Potássio, junto Boro, nutriente fundamental para uma boa floração e vingamento do fruto.

2º- Caruncho

Preventivamente, durante a poda no mês de Fevereiro, deixamos um ramo recém cortado com 3 a 7 cm de diâmetro, debaixo da árvore; no Olival tradicional 1 por Oliveira, no intensivo 1 por 25 Oliveiras. Verifica-se no princípio de Março que o Caruncho começa a fazer ninho, preparando-se para a postura.  Estes ramos "iscos" devem ser queimados um mês depois para evitar que os insectos nascidos saiam.

3º - A Traça

A Traça apresenta-se em três formas diferentes.

A Filófaga que se alimenta da folha:

Esta traça passa o Inverno dentro das folhas da Oliveira. Não causa estragos significativos, e nota-se a sua presença pela cicatriz em meia lua que aparece na folha.

A Antófaga que se alimenta de estames e pólen das flores:

Aqui os estragos ainda não são significativos dada a grande quantidade de flores que a Oliveira produz. No entanto em variedades de menor inflorescência já será discutível. Esta é a melhor oportunidade de eliminar as traças, dado que elas se encontram expostas, e um insecticida de contacto poderá ser eficaz. Nas variedades para azeite normalmente não se combate a Traça nesta fase, a não ser que nesse ano a inflorescência seja menor.  

A Carpófaga que se alimenta da amêndoa do fruto, (o interior do caroço).

Esta é a traça que causa maiores prejuízos. Deposita o ovo junto ao pé da azeitona recém vingada quando está do tamanho do grão de pimenta. A larva eclode, e dirige-se para o interior do caroço em formação; e aí vive alimentando-se da amêndoa. Quando sai do caroço já uma lagarta grande, segue o mesmo caminho de volta até ao local por onde entrou. Acontece que o orifício que abre para sair na zona do pé da azeitona é suficientemente grande para causar uma fraqueza junto ao pedúnculo, causando então a segunda e a mais prejudicial queda de fruta. Agora já não há nada a fazer. A traça cai então para o chão e aí se desenvolve até insecto adulto. 

O combate à Traça deve iniciar-se de acordo com os dados recolhidos nas armadilhas que permitem a contagem de adultos e indicam quando será oportuno tratar.

Não se pode seguir um calendário com rigor, pois a população de traça depende de factores alheios ao homem.  É fundamental seguir a evolução das capturas.

4º - A Mosca 

A mosca inicia a postura quando a azeitona começa a mudar de cor, de verde escuro para claro. Nessa altura o fruto fica mais macio, o que facilita a perfuração da pele. No nosso clima é cerca de meados de Setembro; ... mas, nunca fiando. 

A melhor maneira para se decidir quando será necessário um tratamento contra a mosca é colocar armadilhas cromáticas ou/e com feromona para onde as moscas são atraídas. Com contagens periódicas poderemos fazer um gráfico do aumento da população de mosca, e estar atento ás picadas nos frutos.

Se a quantidade de capturas se justifica, aplico um insecticida de contacto e ingestão com um atractivo, pulverizo de três em três carreiras do lado do Sul. Esta aplicação deve ser efectuada cedo de preferência  nos dias frescos para que o produto não seque rapidamente. As moscas atraídas bebem o insecticida e morrem sem causar danos.

Se mesmo assim as capturas de insectos não diminuírem ou se se verificar a existência significativa de picadas, deve-se tratar segundo as instruções do técnico da Protecção Integrada que segue o olival, usando normalmente um insecticida sistémico autorizado.  

A mosca pica a azeitona depositando nela um pequeno ovo que dá origem a uma larva. Esta larva alimenta-se da polpa fazendo uma galeria. Mais tarde, a larva forma pupa de onde nasce uma nova mosca que abre um orifício para sair da azeitona. Por este orifício de saída entra o ar dando origem a oxidações dentro do fruto, o que se traduz em aumento de acidez do azeite.

Se as temperaturas forem elevadas as larvas poderão morrer, o que evita um tratamento.

5º - A Gafa

A Gafa está muito relacionada com a quantidade de mosca porque o orifício de saída da mosca, é também uma porta de entrada para a Gafa. Assim deveremos estar muito atentos, quando for tempo disso, aos ataques de mosca.

Efectuo normalmente dois tratamentos contra a gafa cobre na forma de oxicloreto.

6º - Margaronia

A Margaronia Unionalis é um insecto que ataca a oliveira sob a forma de lagarta. Ataca os extremos tenros da rebentação, causando muitos estragos principalmente nas plantações novas, dificultando a condução das arvores. Pode também atacar os frutos durante os meses de Agosto e Setembro, se a população de lagartas for grande.

É possível encontrá-la durante todo o ano em estado larvar; mas é principalmente durante os meses quentes que aparecem os adultos e há posturas. Em plantas pequenas é frequente a lagarta descer até ao chão e enterrar-se para passar o dia, coisa que não acontece num modo geral em árvores grandes, em que a larva tece um casulo de teia geralmente numa folha, juntando os bordos desta onde se abriga durante o calor.  

As borboletas são de cor branco prateado, com uma bordadura exterior acastanhada desde a cabeça até à ponta das asas. Tem uma envergadura de cerca 3 cm. Reconhece-se facilmente pelo voo rápido e decidido, contrariamente ao voo das borboletas que é saltitante como que a hesitar a direcção a tomar. Os insecticidas de combate a outras pragas devem controlá-la.

7º- Euzophera Pinguis

A Euzophera Pinguis é um insecto que vive na casca da Oliveira, onde escava galerias e se alimenta. Podemos dizer que se trata de uma nova praga, pois os registos de capturas significativas são relativamente recentes assim como os danos. Observa-se que uma árvore está com vigor de um dos lados e do outro apresenta folhas amareladas, principalmente depois da Primavera, voltando a recuperar depois da colheita, até que ao fim de dois ou três anos definha completamente.

Se procurarmos bem, no tronco junto a alguma ferida, debaixo da casca, encontramos a tal galeria, e até alguma serradura presa com fios de teia. Se escavarmos com uma faca, encontramos facilmente uma larva, normalmente gorda com comprimento entre 0,5mm e 2cm, de cor clara, se lhe tocamos mexe-se energicamente procurando fugir.

Um Olival vigoroso resiste muito mais aos ataques dos parasitas.

 

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